domingo, 3 de outubro de 2010

CoIsAs De DetRáS e AgOrA (A tEiA)






Embora não esteja explícito, em meio a minha pluralidade se escondem (também plurais), meus sentimentos e percepções do mundo. E nem poderia ser diferente diante do que parece ser tão óbvio!

Gosto dos meus sótãos, de registros, palavras empoeiradas e lembranças bem guardadas. Geralmente os tenho próximos à porta de mim, numa ampla sala repleta de relíquias e preciosidades de todos os tempos e andanças. Coisas dispostas em fácil acesso que, num súbito de saudade, eu possa simplesmente enfiar a mão e encontrar ali algum tesouro, sem ter que ir muito a fundo, evitando, quem sabe, o infortúnio de esbarrar ou tropeçar em algo triste ou desagradável.
As memórias menos felizes estão em outro lugar: um labirinto que quase sempre é estranho e cansativo de se visitar. O acesso se dá por entre veredas sombrias, com rochas íngremes e descampados áridos, vegetação ora rasteira, ressecada, ora espinhosa, emaranhada, sem riachos ou cascatas, um sem fim de quase nada.

É assim que guardo minhas histórias e as resgato pra reviver o que foi deliciosamente bom, quando sinto que o gosto do presente está muito insonso, amotivo ou trivial!

Adoro ouvir músicas e saborear as emoções e sensações que despertam... Também me encanta rever antigos versos de desabafo rebelde, regados de inquietude adolescente, rompantes românticos e amores eternos, que a maturidade se incumbe impiedosamente de revelar como ilusões ao passar do tempo. Sim, com o chegar dos anos (e desenganos), vai se aprendendo a entender como são fugazes os lampejos joviais e aventureiros do coração quando sedento de amar.
Lá dentro, conforme vou sentindo, relendo, ouvindo... as cenas vão emoldurando o presente e uma névoa quase translúcida tornam o momento um portal entre dois mundos: o de antes e o de agora se fundem num só.

Às vezes sorrio de mim mesma! Um riso meio envergonhado de me ver flagrada por essa tolice ingênua repetir, por vezes, tempos em tempos, coisas desconexas (loucuras).
Minha alma embarca feliz nessas asas e segue em deslumbrante vôo até onde a mente/coração preservaram intocáveis meus muitos pedaços de vida...  No instante que é o ponto exato da eternidade na minha lenda pessoal.

Penso se gostaria de vivê-los novamente de forma real... e reflito: teriam eles os sabores de antes?
O gosto embriagante da surpresa e do desfecho inesperado 
(ou esperado)? 
A alegria do sentir pela primeira vez?
Penso que não!

Cada coisa é única, assim como únicos são os momentos de nascer e de morrer.

Penso ainda, que tudo está onde tem que estar... mais que isto, creio que a grande magia é poder ser quem sou (plural e singular), ir e vir nestes mundos só meus, experimentando cada sabor, mesclando o antes e o agora, num constante tecer de uma teia.

Quem lê minhas palavras, pode me achar estranha.
E é verdade. Eu sou!
Não tenho compromisso (aqui no que digo), com a coerência ou regras impostas cheias de achismos mas, com a expansão dos meus sentimentos – que são muitos!

Sei que há muito mais, além do que minha lente/mente consegue captar e decodificar... Mas é justamente por isso que tenho meus sótãos e gosto de visitá-los! Quando há excesso de informações eu fujo pra lá, tentando encontrar alguma referência que me mapeie um caminho ou ajude entender o que está acontecendo. Com certeza, o novo (sempre) é diferente, mas ao vivê-lo hoje, mesmo estranhamente, talvez faça com que ele seja, um dia, uma lembrança igualmente doce.

Muitos Beijos


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