terça-feira, 13 de novembro de 2012

Coisas da (minha) Vida



CoIsAs dA (mInHa) ViDa

Eu já deveria estar habituada às surpresas constantes que a vida me concede, mas confesso, não me acostumo.
Cada vez é como a primeira, mesmo que seja a décima, a centésima, o sabor é sempre único e eu me delicio!

Estou particularmente feliz, por ter vivido todos os momentos de até hoje: foram mágicos, lindos e inesquecíveis (a maioria) .
Em alguns senti um acolhimento doce, energia e carinhos que há muito não percebia ou sentia mais nas pessoas... coisa de família.

Sei que pra toda existência, há uma programação, um propósito e eu, nessa sandice de querer experimentar de tudo um pouco, fico pra lá e pra cá, tentando sorver o gosto de cada instante pra guardá-lo no coração e evoluir minhas percepções.
Peço perdão se sou tão intensa, apesar de tentar corrigir (sem sucesso), a profusão de ações e reações que causo aos ambientes! As vezes sou freada - e preciso - por alguém com mais bom senso. 
 Sinto que em ocasiões assusto, causando reações involuntárias de auto-defesa, de antipatia, mas no fundo, como todo mundo, não sou mais que uma menina querendo um pouco de aprovação e o direito ao aconchego.

Já tive meus momentos rudes, minhas revoltas injustificadas, minha pseudo-coragem travestida de arrogância, mas sempre dói mais na gente que nos outros tais frutos e o sabor travoso é mais intenso na nossa própria garganta.
No fundo sou só carente, bobona, insegura e imatura, tentando sobreviver nessa selva, agora, literalmente, sem pai nem mãe!
Já fui muito tola quando achava que esperneando conseguiria alguma coisa e, a vida me provou que sim! Consegui desgastar relações promissoras, afastar bons conselheiros,
irritar familiares. 

Levou tempo pra aprender que "conquistar" não é um ato vândalo, mas um exercício constante de paciência, sabedoria e estratégias lentamente aplicáveis.
De todo jeito, eu sou "cachorrenta"... sim, os caninos são assim como eu (ou seria eu que sou um pouco como eles): amáveis, disponíveis, carentes, incondicionais e muito dependentes! (risos)
Sei que o universo conspira nos meus mais casuais encontros!
Talvez, por eu ser a única louca disponível e disposta a embarcar nessa epopéia de guerras invisíveis e destruição iminente do velho e do novo, já viciado em ser mal entendido... digo: não sei as proporções de nada! Mas sei: tudo irá mudar!
Transplantei a flor da esperança pra um pedacinho de chão dentro de mim... e estou cuidando dela!

Espero dessa epopéia de heróis anônimos, muitas outras coisas belas e inigualáveis, aprendizados e sentimentos se desenvolvam, se afinizem e nos evolua.
Sinto, por vezes, uma certa vertigem, um desnorteamento... 
Espero sobreviver!!!  e usufruir a honra de servir e restaurar a conexão Divina.

Amo.  Desde antes... desde agora... desde sempre!

AlGo De MiM



Eu queria ser,
Uma mulher de linhas tênues,
Gestos educados e voz pacífica,
De olhar delicado e trejeitos sutis,
Passos ritmados e lentos,
Sorriso discreto e tez pálida,
Cabelos comportados, de poucas palavras.
Mas, eis que sou,
Esse ser de figura que assusta,
De onde a quietude e a calma se afugentaram...
Sou esta mulher de cabelos mesclados,
De formas volumosas, de gestos amplos e palavras pulsantes!
De olhar arisco e investigativo, de voz aguda e palavras cortantes.
Meus passos são rápidos e em som vibrante,
vão rompendo a frieza dos mármores.
Trago a respiração ofegante e a coluna ereta pela coragem
De quem surpreende com a chegada que não se espera.
Sou valente como os antigos heróis e as extintas amazonas!
Tenho o coração febril na temperatura que ferve o sangue de quem ama.
O cio em mim é como o suor do meu corpo,
Transborda pelos poros!
E ainda assim, quando amo flutuo,
deixo meu corpo ir,
sem medida, pulsar além dos sonhos,
no arfã dos desejos, a volúpia de ter vida!

DoCe EnCoNtRo

         
Tu tens a sinfonia de um nome que parece transpor o tempo... 
Não sei se de hoje ou de antes... se é verdadeiro ou só um desejo que vejo... 
Guardei em mim, translúcido implante, tuas digitais e respiros ofegantes de um encontro sem palavras, de corpos amantes. Mas nem sei o que fazer com deslumbre tão estranho, de esperar por tanto - o toque, da tua alma que se funde à minha, na riqueza das palavras que se despejam em nossas bocas e do sorriso que me inunda a face. Quase uma tatuagem que não se desfaz em sua presença. 
Não sei dizer do instinto, já adormecido e intocado, despertado pelo acaso do destino, anjo-menino, que de asas curtas velozes, faz atrozes todo bom senso. 
Tenso... é o que insegura as mãos trêmulas que te buscam no vazio do silêncio do que não compreendo. 
Abri, perante teus argumentos, os olhos dormentes e vi, algo que a compreensão já não distinguia, porque minha dor, de cicatriz tardia, ainda doía e me nublava os sentimentos. 
Me sinto presa abatida, sem resistências ou escapismo, de sorver a alegria que invade, mesclada de tormentos e aguerrida pela insanidade: adiante, mil possibilidades dessa louca vida. 
Bastou um "sim" pra que tudo tomasse outros rumos e nuances, carregadas ainda, das cores antigas de antes, mas novas, diferentes, mais atrevidas! 
É... tua imagem facetada tem mil faces, a serem desnudadas e engolidas por um artista, que é capaz de enxergar arte em todas as frestas, como luz, que inunda o menor dos vestíbulos, e o faz Ser, único! 
Mas eis que surge, do mais profundo de nós, um mar esbravejante, que represado se agita, querendo uma fuga incessante, pra viver enfim o destino de sempre: eterno amante. 
Tenho medo e desejo... receio e coragem! Porque já não se sabe, até onde... 
Mas deixa! Deixa ser o que jamais pôde... o que se perdeu nos labirintos da tua busca... e te permite sorver meu gosto, que em oposto de toda tua procura, uma outra doçura se mostra: a que jamais provou o teu corpo. 
O tempo é outro, te juro! De ser feliz completamente, um pouco e aos poucos mais. 
Estende-me tua mão, ó alma, filha de minh'alma, antiga amante de sempre e faz contente o que teu presente espera há tanto! 
Cola tua boca na minha, teu corpo no meu e que seja o que Deus quiser, que sempre quer, sempre quis, te ver, me ver, muito, muito, muito... só feliz! 

Porque você me faz, eu ser o melhor de mim!

Beijos multicoloridos,

LeNíSsImA




segunda-feira, 18 de junho de 2012

MARES DE NÓS...




Quero o direito de ser feliz sem me calar a garganta ou castrar os argumentos febris!
Sim! Sinto raiva e culpa impotente, mas não! não escolhi nascer assim: do lado mais frágil e quebradiço da corda (que sempre arrebenta).
E me inquieto por saber, porque a dosagem de amar deve ser "suave e homeopática", se a intensidade do sentir é tão ampla e fértil como a de deuses e imortais?
Não quero cerceado meu direito de ser eu mesma, ou a intensidade de me abrir ao desafio e sentir, quem sabe sombrio, o que em teu peito se esconde nas penumbras dos teus medos (e segredos).
Eu nada quis de ti, nada além do espaço bem fazejo da companhia doce e do terno ouvir, do que até de ti, te escondes.
Vim te pedir, isso sim, pra arrancares as cortinas negras da tua janela, deixar entrar um pouco de vento e sol... e sentir, no tremular das folhas embaladas de inquieta virtude, a inquietude de tudo que de longe vem e vai... sem medo da perda do que não se tem.
Mas se quiseres, encosta em mim o teu cansaço, o corpo dolido dos desafios de provar pra si mesmo que és capaz de ressurgir de tuas próprias cinzas, de curar tuas feridas antigas e respirar, como quem emerge de profundas águas e vislumbra fora, um jeito novo de andar!
Deixa eu ladear tua trilha, me avizinhar... e em silencio ver teus passos, sem interferir na rota ou no traçado... só velar teu andar ou suspiro... só olhar?
Não me põe pra fora do teu sorriso, do teu abraço, do teu murmúrio, pois por isso, nada fiz e não mereço... nada vim levar... só dar de mim, me deixar.
Estende tua mão com calma, alma pedaço de minh'alma, e sê feliz, só um pouquinho, porque todo ninho, ainda que sozinho, leva à algum lugar um pedaço de eternidade.
Te acolhe enfim, em ti, a beleza infinda de quem navega em alto-mar (sem bússola ou mapa), só pra ver a luz sobre as ondas, a vela a tremular e saber, que qualquer lugar que se chega, é o lugar de chegar!

sexta-feira, 4 de março de 2011

Vi-VeNdO o LaDo BoM DaS CoIsAs!





Vi-VeNdO o LaDo BoM DaS CoIsAs!


Sempre ouvi e ouço dizerem: "Cuidado com o que você pede!"
Vejo muita gente reclamando da solidão... também já reclamei muito!
Mas... Cuidado! pra depois não reclamar da falta de Silêncio e  Paz que ela contém.
Atualmente estou tão conformada com a situação (que não é de todo incômoda), que até estou gostando
de estar comigo (a isto se chama SOLITUDE - uma solidão que não dói e é um descanso... um gostoso tempo de reflexão)  em contrapartida à "falta de paixão"... Existe TRANQUILIDADE E LIBERDADE - duas coisas valiosas e que estão muito em falta na vida das pessoas hoje em dia!


Então, Aleluia! Porque isso eu tenho de sobra!


É bom viver o lado bom das coisas!!!
(E, de certa forma, todas as coisas tem, pelo menos, dois lados - ou mais) rsrsrsrsr...

Beijos e bom dia!

sábado, 6 de novembro de 2010

LeMbRaNçAs...







Inda lembro quando criança, das coisas boas da infância (e das ruins também)!
Lembro dos brinquedos desejados, da vergonha que se tinha de exigir algum presente e da vontade louca de um "sim" inesperado pra algum desejo que a gente guardava lá no peito, e que, só os amigos mais amigos, sabiam!
Fui uma criança muito, muito atentada! 
Apanhei muito e tive meus castigos bem castigados.
Não era culpa minha que a "época" exigia um comportamento pacato e reprimido, quase celibático. Eu nasci querendo já ter asas que voassem! Era curiosa (e sou)!
Vejo o mundo por lentes próprias e em cores que só eu consigo perceber, sabores que são só meus... e, adorooooooo!
Trouxe na minha bagagem pra esta vida, minha cota de deslumbramentos e vivo a intensidade das minhas escolhas e caminhos.
Lembro das coisas que as crianças de agora não tem mais: brincar na rua de pique-esconde, pega-latinha, garrafão, amarelinha, queimada, pera, uva, maçã... 
Hoje, a intimidade assombrou os sonhos e as meninas, são mulheres e mães muito cedo. Descobrem elas que brincar de papai e mamãe tem um gosto de responsabilidade que as bonecas de antes não impunham.
Lembro da família em volta da mesa nos almoços de domingo, regados a trapalhões, coca-cola, macarronada e frango assado. Dos natais com tender e peru Sadia, do arroz à grega e espumante Sidra, dos presentes embaixo da árvore e amigo-oculto da família com presentes de R$ 1,99.
Parece que éramos tão felizes!
Nos meus aniversários, papai e mamãe me acordavam cedo! 
Adentravam alegremente meu quarto, cantando parabéns e me abraçavam abençoando a minha vida. O presente? Nem sempre vinha, mas, parecia (e hoje sei que sim) que apenas por isto, já o tinha recebido.
Hoje fecho os olhos nesse meu aniversário e lembro de tantas coisas... mas, sei que o tempo é nosso maior conselheiro e se incumbe de fazer com que a nostalgia seja doce e o futuro, mesmo incerto, tenha também suas cores.

Saudades deles...
Saudade de mim...
É a vida.








domingo, 31 de outubro de 2010

DeFiNiNdO o AmOr






Muitas vezes vejo tantas definições do amor que fico confusa e acabo me perguntando se realmente sabemos o que significa.
A inteligência humana tem nos trazido grandes evoluções no que diz respeito ao entendimento das coisas. Tem mostrado que entre o branco e o preto não existe apenas o cinza... mas milhões de nuances e possibilidades e isto é realmente maravilhoso, mas, quando trata-se de sentimento, quando mais se explica, menos se entende, então, eu estive pensando... 


O que é o amor?


Ah! amar é gostar, é cuidar, é querer ver bem, é estar perto, é compreender, apoiar... é beijar, abraçar, é deixar livre, é entender, é perdoar, é esquecer decepções...


Mas, peraiiiiií!!!!

Quando a gente é criança a gente tem um jeito só nosso de amar, ou não!
Amo bombom e odeio injeção! Simples e prático.
Aos poucos a gente vai sendo bombardeado por sentimentos e informações que vão mudando e confundindo esse sentir e dando novas definições:


Amigo é alguém que se gosta muito e, (em geral) se pode escolher, irmão é alguém que a gente aprende a gostar por força da convivência, pais amamos por dependência e depois o amor continua em gratidão... algumas pessoas escolhemos, outros apenas nos acostumamos por imposição da situação ou por comodismo.
Penso que no fundo... tudo é AMOR! O que muda é a intensidade, não sua verdade.
Eu costumo brincar dizendo que amo do tantinho da perninha da formiga mais pequetititinha, do tornozelo pra baixo!!!


Mas na verdade, amor não se mede!


É a energia de sentir, de provar, de degustar que o faz ser tão maravilhoso e único em quaisquer de suas definições: paternal, fraternal, amizade, paixão, respeito, admiração, gratidão...
Porque mesmo se ele for ainda menor que um grão de areia, se eu disser que amo... não importa o tamanho, será amor!
E as pessoas querem quantificar... e perguntam: me ama muito ou pouco?
Mas Amor é Todo amor (não "apenas" amor) seja o "tanto" que for!
Os cães amam. 
Não sabem responder se é muito ou pouco. Amam o suficiente pra ser pra sempre... pra não esquecer nunca... pra ser pra vida toda!


Eu amo. Te amo! 
Do meu jeito, do meu tudo e tanto e, não é porque eu não te amo do jeito que você gostaria, que não te amo. Aprendi a amar de um jeito meu... e estou apaixonada pelo Universo, por mim e por você, e por este lindo Planeta azul... por este momento Divino e de Vida!
Te convido a se permitir amar... 
Simplesmente... sem conta, sem regra, sem porque...
Só ame, e descobrirá o quanto é maravilhoso viver e sentir o amor!

Beijokas... 

segunda-feira, 18 de outubro de 2010


PaTeRnIdAdE DiViNa, HuMaNa e AnImAl




      Analisando a vida e suas consequências, vejo que a paternidade/maternidade (e tudo mais que implica procriação da espécie e sua preservação) tem seus caos e tropeços. Inclui-se nesse equilátero,   obviamente sem nenhum abrandamento, a espécie humana - a mais desafiadora e turbulenta de todos os seres da criação.
Penso eu que Deus não deve ter cabeça... e, se analisarmos friamente... não estou falando de uma cabeça como a nossa, que por míseros problemas terrenos se congestiona, surta e em resultado disso, catástrofes e mais catástrofes emocionais e comportamentais se instalam na vida (ainda mais miserável) do vivente.
Imagino, na minha mente fértil e cinematográfica, Deus lá encima, observando nossas pirraças, nossas raivas e atitudes medíocres de crianças mimadas e mau educadas quando nos confrontamos com frustrações mínimas (ou até grandes) e nos perdemos de nós mesmos.   Creio que Ele se diverte! Sim! Deus deve ter um senso de humor “Divino”, porque senão, pela quantidade de imbecilidade coletiva, se Ele se aborrecesse, já teria nos eliminado ou melhor, nos exterminado do universo há muitooooooo tempo poupando-se de tantos aborrecimentos!
Somos seres difíceis! E nosso Manual de Instrução vem com tinta invisível, ou seja, os outros coitados incumbidos de nos cuidar, ensinar (de nossa própria espécie), ficam totalmente perdidos, isto, sem falar que cada pessoa é de um “modelo”, um modus operandi completamente único e diferenciado. Às vezes um mero fato irrelevante gera comportamentos de diferentes proporções e intensidade inimagináveis, e isso, nem Freud conseguiria explicar!
Filhos... filhos... uma Missão Quase Impossível de se formar gente! Ações e reações iminentes a cada estímulo, diferindo resultados, intensidade e clareza em cada época da vida, variando de acordo com o ânimo, o bolso, a emoção, o conhecimento, a visão de valores, de si mesmo ou do mundo (distorcida ou não), ou seja: IMPOSSÍVEL DE SE PREVER OU ENTENDER!
Até nós mesmos, que nascemos e convivemos com nosso universo interno particular (e peculiar) muitas vezes pensamos secretamente: meu Deus, como é que eu me aguento!!! (quem nunca pensou isso nem uma vezinha, que atire a primeira pedra!) hihihi...
Então, suportar outro ser humano fustigando sua cabeça e testando seus limites em estado ABORRECENTE precoce ou tardio é simplesmente DOSE PRA ELEFANTE (tadinho do paquiderme!) – haja paciência!!!
Nesse surto psicótico de conhecer-se a si mesmo, conhecer os outros e administrar as intersecções do mundo externo e suas exigências,    estamos cada dia mais loucos, mais “pirados na batatinha!”
Agora, sobre paternidade animal (incluindo-se os primatas, nossos ancestrais) parece ser muito mais simples e organizada. Sim! O instinto e senso de grupo e cooperação parecem facilitar bastante as coisas! – HÁ – uma hierarquia que não é estabelecida pela beleza, dinheiro ou poder (comprado ou imposto). Conquista-se mediante regrinhas primitivas simples e eficazes: o mais forte, com características dominantes (mais instinto/agressividade), que demonstre chances reais de defender e preservar a espécie, é o líder! Se outro aparecer querendo “Ibope” no: – “Vamos ver quem ganha no braço ou no grito?”, tem que provar que pode! É estranho, mas funciona, até porque eles vão até o fim meeeeessssmo pra ver se o outro aguenta!
De tudo isto, essa aventura insólita, só lamento nossa animosidade quando: além de destruirmos o que não construímos, de depredar o que é um bem comum, ainda perdemos um tempo precioso tentando entender o propósito da vida e, infelizmente descobrimos, lá no finzinho, que TUDO podia ter sido muito, muito mais simples e fácil:

Era só não ter levado a vida muito a sério!




terça-feira, 12 de outubro de 2010

CoIsAs InUsItAdAs




Tem coisas que só acontecem com algumas poucas, raras pessoas... e, claro, eu sou uma delas!


Não sei se por causa da espiritualidade declarada, se pela disponibilidade ou se "Alguém" gosta de me observar embarcar em tantas loucuras de bom grado, por mera curiosidade e divertimento. Só pra ver no que dá!
Tive um final de semana s-u-r-r-e-a-l... fiz contado com meu Ser Interior, meditei, contatei e confraternizei com energias cósmicas, fiz meus rituais particulares e ancestrais... enfim, retomei minha consciência e missões energéticas com essa vida... restabeleci contato!
Muitas vezes penso, que isso tudo é mera loucura da minha cabeça, tento me convencer veementemente de que é sim! Mas, quando insisto nessa idéia, talvez pra justificar minha vontade de abandonar as loucuras dessa viagem, algo acontece e muda tudo! 
Sim! Algo no mínimo estranho, curioso ou mágico, meio inexplicável. Desde "coincidências" a fatos curiosíssimos e totalmente esquisitos.


Ontem de manhã, voltando pra casa, na rodoviária, enquanto esperava o ônibus (não não sei bem porquê não quis vir de metrô), uma gorda senhora negra me abordou.
Meu piloto automático ligado respondeu lá dentro sarcástico: - Aposto que vem me pedir dinheiro!
Ela chegou docemente e disse: Bom dia! Me desculpe se lhe incomodo mas, a senhora não sabe de quem precisa de uma excelente passadeira? Eu sou passadeira há vários anos e estou procurando trabalho. Trabalho muito bem. Passo rápido, sou caprichosa e asseada, chego cedo, sou de muita confiança. É que meu esposo faleceu de câncer recentemente e eu estou com apenas um dia de passadeira e quero ter pelo menos 3 ou 4 pra ajudar no orçamento de casa. Não tem problema se for no final de semana que a pessoa quiser. 
E fixou os olhos no meu com um sorriso amplo exibindo a falha de um pré-molar no lado esquerdo e um amplo diastema (fenda entre os dentes da frente). Os olhos sorriam junto com os lábios em harmoniosa simpatia.
Olhei pra ela surpreendida por seu "marketing pessoal" entusiasta e bem elaborado e fiquei pensando... Onde ela teria desenvolvido uma abordagem tão eficiente?
Era uma senhora muito simples, de vestes puídas e gastas, com consertos alinhavados em linha de outra cor expostos numa gola que já pretendia despencar, mas visilmente limpa e passada. O cabelo afro com fios muito crespos, eram contidos numa presilha puxando mechas pra trás. Os olhos grandes e sobrancelhas ralas tinham ao centro um nariz largo sobre lábios grossos e bochecha rechonchuda. Me confessou ser disposta ao trabalho, mesmo já tendo 50 anos.
Fui encurralada! Pensei.
Não tinha como não ser gentil ou indiferente com ela!
Olhei amorosamente para seus olhos ansiosos e disse: Olha, eu no momento não conheço ninguém pra indicar pra senhora, mas, por favor, me passe seu telefone de contato, que se eu souber de alguém, eu lhe indicarei com prazer, tá bom?
Ela rapidamente me disse o seu nome - Ana, o telefone, os dias disponíveis (todos exceto quinta-feira) e o valor cobrado (dentro do mercado) mais passagem e almoço.
Quanta objetividade e foco! pensei.
Anotei o telefone dela e, quando pensei que já tinha terminado, ela me disse: - Quero pedir mais uma coisa pra senhora!
Pronto! Eu já estava completamente comprada por ela, então, um pedido a mais não era problema. Ela já tinha fisgado o peixe!
Sim... (disse eu toda envolvida e solícita) pode falar! Sabendo que qualquer pedido concederia mais tempo ao sorriso e brilho daquele olhar e talvez mais alguma boa surpresa.
- Por acaso a senhora poderia me ajudar a comprar um lanche? É que saí muito cedo de casa e não sei que horas vou voltar e só tenho o da passagem mesmo.
Lancei mão à bolsa, sem resistência, tirei o dinheiro da carteira, o suficiente pra um bom lanche e entreguei a ela que, toda satisfeita disse veemente:
- Que Deus lhe abençoe e multiplique em saúde sua bondade e sua prosperidade!
Respondi com um largo sorriso de abençoada e desejei o mesmo, olhando amorosamente em seus olhos: Deus já está me ajudando a ajudar a senhora e muito mais Ele fará!
A senhora me olhando emocionada segurou no meu braço e  disse: - Por favor, faz uma oração comigo!
E lá fui eu, sem nenhum constrangimento, na frente da vitrine da lojinha de calçados, em plena rodoviária, 10h da manhã, fazendo oração com uma pessoa totalmente desconhecida e abençoando a vida dela e de seus familiares.
Não suficiente tanta inusitada e inesperada emoção, ao terminar, ela abriu bem os braços, me acolheu em seu peito largo e farto, me segurou apertado e cheia de gratidão e calor sincero, me soltou, disse obrigada, e foi-se!
Fiquei olhando ela distanciar-se caminhando mansamente, sentindo aquela sensação (que o cérebro não entende) de doce e amorosa ação bilateral que não só ajudou quem pediu, mas iluminou meu dia, pela oportunidade de fazer o bem e sentir o delicioso sabor de tê-lo feito integralmente.

É Deus... Ganhei meu dia!

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

TiRo De MiSeRiCóRdIA!!!




Estamos agonizando... o Planeta está.
As coisas que vemos são, no mínimo, a mais pura constatação de que o Apocalipse começou (e já tem tempo!)
Estava eu indo no final de semana pra casa de um amigo, quando, dentro do ônibus super lotado, entrou uma senhora com duas sacolas grandes e pesadas. O ônibus estava cheio, impossivelmente cheio. Ela tinha duas sacolas. E os bancos preferenciais tinham os lugares lotados.
Mais atrás, uma menina de uns 7 ou 8 anos, talvez 10, no máximo, estava sentada com aquele ar de "ai meu Deus, eu quero morrer aqui!" e "danem-se vocês!", olhou para a senhora que, fez questão de estacionar na frente dela com olhar questionador e cheio de direitos, do tipo: "milha filha, eu sou velha e você é criança, levanta pra eu sentar!" e a menina ignorou com olhar frio e tedioso.
Todos se entreolharam procurando a reação de uma possível mãe que fosse dizer pra menina: "sai daí e deixa a senhora sentar!", mas foi em vão... ninguém se pronunciou.
Uma pergunta se inquietava na mente das pessoas:
1. Estaria a menina sozinha? Cadê a mãe?
2. A mãe fingia que não tava acontecendo nada, sonsamente, com cara de que não era com ela!
3. A mãe em poucos momentos detectaria a senhora de pé ao lado e pediria pra pra menina sair?
4. Alguém se levantaria e cederia o lugar pra senhora?
5. Alguém falaria com a menina pra sair?


Nãoooooo! ...os segundos se passaram e ninguém se pronunciou, nada aconteceu!


A mulher com as sacolas demonstrava impaciência e frustração.
O ônibus cheio andou algumas quadras e a senhora, com as sacolas já apoiadas no chão, olhava atentamente para ver se vagava alguma cadeira, em vão.
Finalmente, depois de algumas freiadas, paradas e sacolejos, ela olha pra menina firmemente e diz:
- Meu anjinho... onde está sua mãe? Olha, essa vózinha aqui está bastante cansada, não tinha como você ir sentadinha no colinho da vovó, só pra eu não ficar chacoalhando o tempo todo, además, minhas pernas estão doendo muito. E deu um sorrisinho descrente.
A menina, para surpresa de todos, olhou com cara de desdém, examinando minuciosamente cada detalhe da velha senhora, coçou a cabeça, fez cara de tédio e virou-se pra cadeira atrás, do lado oposto, tentando fazer contato visual com a mãe, que se escondia atrás de dois ou três amontoados no espaço mínimo do corredor e gritou: Mãe! Ô Mãe! Tem uma mulher querendo que eu saio do banco pra ela sentar e eu num vou sair não!


... (Expectativa Geral) 


Silêncio!


Novamente nada aconteceu.
Mais uma curva, mais um buraco, um solavanco! E a Senhora reclamou com a menina, já em tom mais impaciente:
- Menina, cadê sua mãe?
E a menina apontando o dedo mole e displicente na suposta direção da mãe disse:
-Tá ali, ó! Aquela de blusa vermelha, cabelo preso com um lápis e uma nenêm no colo.
A velha se esticou pra ver se alcançava, mas não conseguiu ver muito.
Daqui a pouco ela viu, na cadeira apontada, uma moça bem morena e volumosa, de rastafari, amamentava, com os peitões expostos uma bebezinha de uns 8 meses. Dois meninos (gêmeos) de uns 4 anos sentados ao lado, imprensavam uma outra menina de uns 6 anos, com uma sacola de bebê que tomava mais da metade do assento dos pobres. Aos meus olhos e olhos curiosos (críticos e pasmos) de todos, pensamos em uníssono:
Meu Deus, que louca!!! Será que é mãe dessa tropinha toda? Não eram sujos ou catarrentos, apenas simples.
A menina aquietou-se, virando as costas pra senhora e escondendo a cara por entre os braços em posição de travesseiro de dormir.
A senhora suspirou com cara de batalha perdida e o burburinho começou:
- Acho um absurdo fazer isso... colocar criança no lugar de adulto! - Tem gente que é folgada mesmo, onde já se viu? - Nossa a mãe tá lerda ou tá morta? - Ah, não... ninguém vai dar lugar pra senhora, não? - É... o mundo tá perdido!!!
Mais alguns esbarrões e freiadas bruscas, a idosa certamente pensando no trajeto longo a ser percorrido, olha impaciente em volta, tentando ajeitar-se no mínimo espaço disponível e cutuca a menininha novamente:
- Filha, deixa a vovó sentar aí e você vai no meu colinho, prometo.
Os marmanjos sentados nas cadeiras próximas enfiavam a cara no vidro, aumentavam o som de seus MP3... cruzavam os braços e pernas e fingiam que estavam em outro planeta!
A garotinha já também enraivecida, olha pra trás e solta um grito ainda mais alto:
- Ô Maêêêêêêêê, a mulher quer que eu saio daquiiiiiii!!!!!
E a senhora se espremendo entre as brechas pra ver o rosto e reação da mãe, a encontra e, aliviada´e sem jeito diz:
- É que eu to tão cansada minha filha, e o ônibus tá tão cheio, que eu queria sentar e levar ela no meu colo, tudo bem?
- E a moça gorda, de uns 28 anos, olha pra senhora e diz, pra espanto de todos:
- Ô tia, eu paguei a passagem dela, e uma pros meninos, pra ela não ir em pé e nem apertada, então, ela não tem que dar o lugar dela pra ninguém, não, viu?! Só porque ela é criança tem que ir de qualquer jeito? Nãooooo minha filha, EU PAGUEI a passagem, entendeu? NÃO VAI SAIR NÃO, NENHUM! TA CERTO?
Todo mundo ficou pasmo! Sem ação! Indignado!
A senhora, com um misto de revolta, ódio, instinto homicida e vergonha, olhou impotente pra todo mundo, meio que implorando um motim, e amaldiçoando disse: - Tá certo... você nunca vai ficar velha... e se encolheu toda.
Uma moça que tava cheia de livros de faculdade, vestindo jaleco e roupa branca, levantou-se puta c/ os marmanjos e espremidamente entre as pessoas cedeu o lugar pra senhora, que, nesse momento, já estava resignada a ir os 20 e tantos km de pé. 
Com raiva e decepção ela agradeceu, dizendo que estava bem e ruminou entre dentes que Deus sabia de todas as coisas...
O ônibus ia lentíssimamente, pesado, abafado e barulhento... o nervosismo calado cerrava os cenhos e endurecia os humores. Era uma bomba relógio!
Na terceira parada um barulho e um chacoalhão! 
- Opa! o que é isso? Que cheiro estranho... Aconteceu alguma coisa!
E os curiosos se dobravam na direção da janela esquerda tentando ver algo.
A velocidade foi diminuída... um barulho batendo, batendo... e o carro foi parado!
- Ah, não! Pelo Amor de Deus! O que foi, motorista? Revolta geral.
- Pera que eu vou ver, mas acho que foi o recapeamento do pneu que foi pro pau! e foram dos dois, tenho certeza!
Pescoços esticados, caras fora da janela... e o motorista volta balançando a cabeça e dizendo:
- Acabou a alegria! Desce todo mundo!
- O queeeeê? - Ai meu Deeeeeeus, só faltava essa! 
- Ixi, vou chegar amanhã em casa! 
- Tem certeza motorista?
E a multidão indignada e reclamenta descia como boiada pro matadouro.
A senhora ficou quieta, de olhar parado sentada no banco, como que pensando no que seria o "próximo" onibus, com a carga vinda e mais essa, além do tempo de espera!
Desceu todo mundo... ficaram uns velhinhos, duas pessoas com criança e a tal moça com os 5 filhos.
Os velhinhos, se solidarizando, se aproximaram pra dar apoio pela falta de bom senso da mãe da menina, afirmando da barbaridade do mundo de hoje, da falta de respeito, de amor, de Deus.
A mãe dos meninos, enraivecida, pensava no que  ia fazer pra colocar 5 crianças, mais bolsa, num onibus superlotado e agora, sem lugar pra todos. Talvez conseguisse um, se alguém tivesse caridade, e se não?
Não tinha mais nada pra piorar... pensavam, até que o próximo onibus, também já cheio se aproximasse e, todo mundo em selvagem tumulto sentindo a iminência ameaçadora da tempestade com ventanias e raios, desabasse rápida, pesada e impiedosa sobre os pobres coitados!
Detalhe: a parada de ônibus depredada na beira da estrada, não tinha sequer uma telha pra se esconder embaixo, era só um resto de construção em pedaços e uma placa.
Reflexão - Será que foi castigo ou mero acaso?
Penso, diante de tudo isso, que faltou um pouco de bondade... dos homens e do tempo!


Beijos.



segunda-feira, 4 de outubro de 2010